domingo, 6 de janeiro de 2008

Desmoronar

Havia um muro
Imóvel, de cimento
Que tornava seguro
Um passeio cinzento


Mil gentes acompanhou:
Ora as encobriu do sol ardente
Ora as abrigou da chuva poente
E nunca vacilou.


Um dia lhe apareceu um senhor
Perguntando na sua voz de rancor
“Que guardas muro?”
“Guardo as pessoas e o seu futuro!”
“Do outro lado…?”
“Das pessoas guardo o meu fado.”


O senhor, cobiçoso, o tentou saltar
Mas o muro, elevado, o ignorou,
O tentou perfurar
Mas o muro, espesso, o desprezou.
Por último, tentou conversar
Mas o muro, mouco, o contrariou.


Então,
Aos homens se acudiu
E, esquecendo chuva e sol
O torturaram até que caiu,
E se confundiu naquele solo mole.


O homem chorou, desgraçado
Que aquele fado
Vidente, nada lhe tinha para contar
Senão a história do muro que acabava de derrubar!


E o passeio se tornou silencioso
De pessoas, sob aquele sol furioso.

3 comentários:

Anónimo disse...

Fantástico! Infelizmente existem pessoas que não têm a capacidade imediata de perceber o quão importantes são "esses muros" e acabam por enfrentá-los e destruí-los.Mesmo assim, acredito que eles estão sempre lá, seja onde for.

Anónimo disse...

Olha, meu sobrinho: nem sempre os muros que não se deixam derrubar são os mais fortes.
Aqueles quepor vezes se deixam derrubar e depois reconstruir são mais valiosos.
Beijos
Tia S.

Anónimo disse...

Dos meus preferidos teus.Já sabes o que penso mestre =)