quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Já ninguém se senta a pensar,
Não rende.
E mesmo que rendesse
Seria pensamento em massa, daquele que se vende.


Preferimos ter trabalhos, alegrias, objectivos ridículos,
Impensáveis
Do que sentar a pensar
Porque é que os ridículos são louváveis.


A culpa não é do televisor, da escola, do jornal
Que não nos querem a pensar.
È antes da nossa preguiça banal
Que, de mente vendada, isto não quer lembrar.


E havemos de morrer sem pensar
Havemos de nascer a seguir a mãe e morrer a seguir a morte, viver a seguir a maré,
Pois seguimos sem pensar,
Curvados sob qualquer pé.


Se nos sentássemos a pensar
Percebíamos que não é do homem pensar.


Pensando melhor, talvez não pensar
Torne mais feliz
A vida que se quer feliz,
Pois quem não pensa não erra.
Por isso o homem é perfeito
Não erra e não pensa com defeito,
Pensa num comum proveito,
Tomando o exemplo da proveitosa guerra.


Rectifico todos estes devaneios:
Quem pensar que não se deve pensar
È que está a pensar bem.


(Post Scriptum:

Ora, que andei eu a escrever?
Que parvoíce,
Eu nem as penso!)

2 comentários:

Anónimo disse...

Sabes melhor que ninguém aquilo que penso. Este texto, para mim, está fenomenal.A maneira como está escrito e o que está escrito..A mim toca-me, e não quero saber se aos outros toca ou não. Valorizo muito aquilo que fazes e só não vais longe se não quiseres.
A concorrencia é apertada, por isso vai-te encolhendo.Vou dizer-te muitas vezes que há melhores que tu, e muitas vezes mais que tu és o melhor.
Para mim, és óptimo naquilo que fazes, e chega-me. És Gonçalo Videira e não Fernando Pessoa.

R. disse...

Este é o meu favorito Gonçalo. =D