Pelo sucesso do meu destino
Envelheço ensombrado,
Não me o deixo indagar franzino,
Sonho-o intemporal, louvado.
Fecho os olhos e percorro-o
Sem me atemorizar
Se no meu presente morro,
Desde que no destino que desenhei
Não pare de deambular
(É como tomar o ópio que plantei).
Por isso utopico o falhanço
Que seria não ver o meu desenho real,
Que me mataria num crime banal.
Rejeito o falhanço
Porque do futuro me lanço
Ao presente certezas inevitáveis
Nas quais vivo divino, imperial,
Não hoje, mas em amanhas impalpáveis
Pormenorizados à exaustão
Nesta corrupta previsão.
E assim, lenta e fatidicamente, aumenta o fosso
Entre a incerteza e a necessidade que me atravessa o pescoço.
Vivo ensombrado pelo meu sucesso.
Serei só eu?
Não sei, mas o sucesso é só meu.
2 comentários:
Basta seres aquele Gonçalo fanta´stico e o resto vem por acréscimo. Podes ter a certeza! Gostei do texto. Eu também penso muito nisso( se e´que percebi a ideia).
Como tão bem te percebo!A incerteza é uma constante que me acompanha; a necessidade dessa incerteza e de pensar nela é algo que não consigo evitar, por mais que me desvalorize.
Fabuloso.Ve-se perfeitamente as ideias do Gonçalo Videira a espreitarem (senão o próprio ;) )
Digo-te o resto a ti :) *
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