sábado, 3 de novembro de 2007

Sono

Adormeço
Com sorriso inesperado
No meu rosto
De cancro humilhado.
Um sorriso de Agosto,
Quente e generoso,
Onde me aqueço com apreço
Do desgosto nervoso
E frio, que me eriça cada pelo.
Mas nunca sequer me tocou
Na medula do degelo,
Na chama incandescente que sou.

Por isso continuo a sorrir,
Uma chama ao vento,
Num arrefecer lento
E assim hei-de partir,
Num hibernante preenchimento.

Rio-me preguiçosamente, e, ofegante, continuo a dormir.

1 comentário:

Anónimo disse...

Adorei o sentimento de letargia que conseguiste transmitir neste poema, uma letargia que chega a ser quase saudável. Óptimo trabalho! :)