quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Devaneio vulnerável

Como os meus olhos, desfocada
Te admira a minha pequenez:
Flutuas, magnífica fada
E brilhas, resplandecente, nesse teu trono
De onde sopras o Outono
Que a todos sepulta de palidez.
Menos a ti, harmonia alada.


**


Mas, um dia, colorir-me-ei de desabrochar
No teu jardim outonal,
Haverás de me admirar, de me inspirar, de me escutar
Num teu acaso magistral.
Afagar-me-ás em ti, nesse cabelo aveludado,
Nesses teus fios de vaidade.
Amar-me-ás na tua redoma mais bela
E regarás, radiante, o nosso fado.


E crescerei,
E florescerei..


Serei o dono da promiscuidade
Para nela te ver a errar.
(Ver-te vaguear na tua vaidade
Primaveril, devagar.
Ah, quão verdadeira é a tua vaidade
Que torna vaidoso o meu vulgar!)

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