Na Páscoa renascem os mortos
Animam-se as cinzas ao vento
Remoinham, eternas, ao raiar
Tímido e efémero da vida.
Colorem o desabrochar das camélias
Baptismo de volúpia, lento
Cobrem-nas de passado, de recordar
Iguais árias de aurora e alento.
Que nesta nascença enternecida
As camélias olvidam o que foram
Que já mil cinzas acomodaram
Que já mil fogos as exultaram
E as levaram de antera em antera
A ensinar a Primavera
Que renasce dentro de mim
E desperta os meus mortos.
2 comentários:
Deixa-me com um sentimento de saudade, culpa...
Quem não vive afinal com os seus dorminhocos mortos?
Genial, génio.
os teus textos, meu deus.
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