Na Páscoa renascem os mortos
Animam-se as cinzas ao vento
Remoinham, eternas, ao raiar
Tímido e efémero da vida.
Colorem o desabrochar das camélias
Baptismo de volúpia, lento
Cobrem-nas de passado, de recordar
Iguais árias de aurora e alento.
Que nesta nascença enternecida
As camélias olvidam o que foram
Que já mil cinzas acomodaram
Que já mil fogos as exultaram
E as levaram de antera em antera
A ensinar a Primavera
Que renasce dentro de mim
E desperta os meus mortos.